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Temos o prazer de apresentar 50 entidades sem fins lucrativos bem administradas, que têm o que ensinar em termos de administração de empresas. Se as empresas privadas aprendessem os estilos e técnicas gerenciais destas 50 entidades elas dobrariam seu lucro, ironia do destino. Descobrimos que o terceiro setor é uma via de mão dupla proveitosa. De fato, as entidades têm muito o que aprender em organização e métodos, mas as empresas brasileiras também têm muito a aprender em técnicas administrativas com o terceiro setor.

Em vez de aprender técnicas gerenciais de empresas japonesas e americanas, que muitas vezes não se aplicam à realidade braileira, temos agora um grupo de entidades que, atuando dentro da nossa realidade, aprenderam a lidar com o público, são craques em motivação de pessoal e operam com recursos mínimos de uma forma competente e eficiente.

As entidades sem fins lucrativos no Brasil nunca precisaram fazer reegenharia, terceirização ou enxugar suas estruturas porque nunca tiveram gorduras para cortar.

Estas entidades, há mais de 30 anos vêm atuando na área de serviços - a grande coqueluche empresarial da década de 90.

A empresa mais antiga do mundo, a Hudson Bay, foi fundada em 1496, e pode ser visitada em sua sede em Toronto. É uma empresa pequena, com duas subsidiárias, e seu grande mérito é ter sobrevivido no tempo. A Ordem de Malta, uma das 50 vencedoras de 1997 aqui retratada, foi fundada em 1090 e se tornou uma enorme multinacional em mais de 70 países, inclusive no Brasil.

Começou desde o início com uma visão e objetivo, o que os gurus de aministração hoje chamam de missão: "obsequium Pauperum", servir aos pobres.

Ou seja, foram as entidades sem fins lucrativos que criaram o conceito de missão que passou a ser utilizado pelas 500 maiores empresas do mundo, e não vice-versa como julgam alguns consultores americanos.

A AVAPE, outra das 50 vencedoras este ano, gerou pânico entre as pequenas e médias empresas brasileiras, ao ser a primeira entidade sem fins lucrativos do Brasil e uma das primeiras do mundo a obter a certificação ISO 9000, mais especificamente o ISO 9002.

Pânico porque mostrou que no mundo competitivo atual até para ajudar os outros é necessário ser competente, até para trabalhar de graça é necessário um ISO 9000, ou seja, qualidade.

 

 

Os objetivos iniciais deste Prêmio são:

1. Reconhecer as entidades sociais sem fins lucrativos bem administradas do País, e prestarlhes uma justa homenagem.
tendemos a esquecer que estas entidades trabalham anos a fio sem o lucro para estimulá-las de ano para ano, como ocorre no setor privado. Por isso, elas precisam, além de doações, de constantes reforços e "tapinhas" nas costas de vez em quando, para compensar as frustações que enfrentam como qualquer empresa brasileira.
A sociedade brasileira premia times de futebol, cantores de música popular, as melhores empresas e agora podemos cobrir esta triste lacuna com o Prêmio Bem Eficiente.

 

2. Estimular a eficiência e transparência das entidades beneficientes.
Globalização, competitividade, redução de gastos e custos têm causado enormes reduções de recursos financeiros obrigando as entidades sem fins lucrativos a conseguir maiores níveis de produtividade e eficiência

 

3. Divulgar estas entidades conjuntamente, auxiliando-as na tarefa de disseminação e arrecadação de recursos para a sua sustentação.
O terceiro setor tem sido predominantemente gerido e administrado por mulheres, algo que raramente ocorre nas 500 maiores empresas brasileiras. Normalmente, as pucas executivas que temos são obrigadas a seguir os estilos e técnicas gerenciais criadas pelo corpo predominantemente masculino.
Nas entidades sem fins lucrativos as mulheres executivas puderam impor seu estilo gerencial, colocar suas idéias administrativas em prática e sua nova forma de pensar. Se o próximo milênio favorecerá os valores femininos, como acreditam alguns futurólogos, temos já no Brasil uma visão deste futuro administrativo e gerencial.